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O design brasileiro está vivendo um momento de transformação. Mais do que criar produtos, o setor passa a discutir identidade, comportamento, experiência, comunicação e a construção de valor.
Foi dentro desse contexto que aconteceu, em 16 de agosto, em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, o primeiro encontro presencial da Comunidade Cultura do Design Brasileiro, iniciativa da Refresher Trends e Design Tank.
Realizado na véspera da Movelsul Brasil 2026, o encontro reuniu arquitetos, designers, especificadores, empresários, indústrias e profissionais ligados à cadeia do design para uma tarde de conteúdo, reflexão e conexões.
A Madelustre esteve presente nesse momento, representada por Nathalia Ritter, participando das conversas e do painel que reuniu indústria, designers e especificadores.
A proposta da Comunidade Cultura do Design Brasileiro parte de uma provocação importante: o Brasil possui criatividade, indústria, profissionais qualificados e capacidade técnica, mas ainda precisa fortalecer a confiança em sua própria identidade.
Na abertura do encontro, André Menin, fundador da Refresher, trouxe justamente essa reflexão sobre a valorização do que é produzido no país e sobre a necessidade de aproximar os diferentes agentes que participam da construção do design brasileiro.
A proposta é olhar para o design de maneira mais ampla, entendendo que ele não está apenas no produto final, mas também na pesquisa, no comportamento, na indústria, na comunicação, no varejo e na experiência.
Essa visão encontra sintonia com a trajetória da Madelustre, que há mais de quatro décadas trabalha para transformar materiais, técnicas e conhecimento em produtos que carregam identidade.
Durante o encontro, diferentes perspectivas ajudaram a construir uma visão mais ampla sobre os caminhos do design brasileiro.
Marne Barbieri, representando a Eucatex, falou sobre comportamento, pesquisa e novos modos de morar, mostrando como a compreensão das pessoas e de suas necessidades pode orientar o desenvolvimento de produtos mais relevantes.
Entre os pontos abordados, esteve também a importância do conforto sensorial e da maneira como materiais, iluminação, texturas, acústica e cores participam da construção de ambientes capazes de proporcionar acolhimento e bem-estar.
Já Jean Dallazem trouxe uma reflexão sobre comunicação e storytelling. A discussão mostrou que um produto não é percebido apenas por suas características físicas, mas também pela história que o acompanha.
Para uma indústria como a Madelustre, essa conversa ganha ainda mais significado. Cada peça carrega processos, materiais, escolhas e o trabalho de muitas mãos. Comunicar essa história é também uma forma de valorizar o produto brasileiro.
Um dos momentos de destaque do encontro foi o painel que reuniu representantes da indústria, designers e especificadores, criando um espaço para discutir a relação entre quem produz e quem participa da escolha dos produtos.
A Madelustre integrou esse painel ao lado de representantes da Eucatex e da Cripaza, além de profissionais da Confraria Refresher.
A conversa reforçou a importância de construir uma linguagem comum entre os diferentes elos do setor.
Quando um produto chega ao mercado, sua história passa por muitas mãos. Começa na pesquisa e no desenvolvimento, atravessa a indústria, o marketing e o comercial, chega ao varejo e, finalmente, ao profissional que apresenta aquela escolha ao cliente.
Quando essa história é bem construída e compartilhada, o produto deixa de ser percebido apenas por suas características e passa a carregar significado.
Encerrando a programação, o professor e pesquisador Lorí Crízel trouxe uma reflexão sobre experiência, comportamento do consumidor, neurodesign e neuroarquitetura.
A ideia central apresentada foi que o valor percebido não está somente no produto, mas na experiência construída ao redor dele. A forma como uma marca se apresenta, como o espaço é pensado, como os materiais são percebidos e como as pessoas se relacionam com aquilo que consomem influenciam diretamente essa percepção.
Para o universo da iluminação decorativa, essa discussão é especialmente relevante.
A luz participa da construção dos espaços, influencia sensações, destaca materiais e transforma a maneira como percebemos um ambiente. Por isso, pensar iluminação também é pensar arquitetura, comportamento e experiência.
Mais do que um evento, a primeira edição presencial da Comunidade Cultura do Design Brasileiro propôs uma reflexão sobre o futuro do setor.
A iniciativa busca aproximar profissionais, indústria e mercado por meio de encontros, conhecimento, pesquisa e troca de experiências. A própria estrutura da comunidade contempla mentorias, conteúdos sobre comportamento, identidade do produto brasileiro, storytelling, posicionamento, varejo e futuro do morar.
Para a Madelustre, participar desse primeiro encontro foi uma oportunidade de estar perto de profissionais que compartilham uma visão semelhante: a de que o design brasileiro tem identidade, conhecimento e potencial para construir referências próprias.
É também uma oportunidade para ouvir, aprender e contribuir para essa construção.
Acreditamos que fortalecer o design brasileiro é um trabalho coletivo. Envolve quem pesquisa, quem cria, quem produz, quem especifica, quem vende e, principalmente, quem acredita que os produtos feitos no Brasil podem carregar muito mais do que função.
Podem carregar história, cultura, conhecimento e identidade.
E é nesse movimento que queremos continuar.